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== Voto nulo ou voto consciente? Como os ingênuos ainda se esforçam para acreditar no futuro == Por Tomazio Aguirre (http://desacocheiodessepais.blogspot.com/)

As vésperas de mais uma eleição "para mudar os rumos da nação", dessa vez o foco do debate (dentre os que ainda acreditam que votar faz alguma diferença) deslocou-se para o "votar nulo" ou o "votar consciente". Sei que aqueles que preferem o caos à tirania (real ou imaginária) logo me dirão para eu tomar "cuidado!", pois desacreditar do voto é acender uma vela às ditaduras. Mas para esses respondo rapidamente: as ditaduras no Brasil seguirão cíclicas como tentativas desvairadas de por "ordem e progresso" no caos. Portanto, não será um niilista não lido por ninguém como eu que vai apressar a próxima ditadura. Não superdimensionem o falso poder das palavras. O caos brasileiro trará a próxima ditadura por si mesmo, com ou sem textos como esse. Assim, sigo em frente...

Muitos eleitores brasileiros mantiveram até depois de 2002 esperanças de que o PT fosse "dar um jeito no país", ou pelo menos deixar algum resquício de esperança de que isso ainda fosse possível; talvez reduzindo ao menos o medo coletivo de um futuro precocemente trágico nessas bandas tropicais. Estes decepcionados, duplamente enganados - primeiro pelo PT, que sempre prometeu o imaterializável, e depois pela crise do PT (do "mensalão"), plantada pela mídia quando o PT apenas fez o que todos os brasileiros precisam fazer nesse país, se corromper para adquirir poder plutocrático ou para sair da lama - , hoje se dividem entre os que querem o voto nulo e os que tentam incentivar novos PTs (PSOL, PSTU, PCO, etc), para ver se assim conseguem manter o sonho democrático por mais alguns anos, quiçá algumas décadas.

Para desespero dos NULISTAS sinceros, os juristas brasileiros, mestres em tentar manter a moral pela via do menor esforço (dos conchavos e conluios cínicos), fizeram de última hora uma nova "reinterpretação" da palavra "nulidade", dizendo que a "nulidade de mais de 50% dos votos" nas eleições não invalida o pleito (a eleição), pois esta nulidade se refere a votos anulados por irregularidades na campanha, irregularidades no registro de um ou mais candidatos, irregularidades no registro dos eleitores, e coisas do tipo; e não pelo voto intencionalmente nulo do eleitor. Ou seja, somos realmente uma democracia moderna: de conchavo em conchavo a população tem como única opção a OBRIGAÇÃO de escolher entre os picaretas que a plutocracia eleitoral impõe. E plutocracia, pra quem não sabe, significa governo do mais rico, dos que têm dinheiro para fazer publicidade cara, para corromper jornais e televisão, convencendo o povo-bunda a lhe dar o voto; e convencendo-o de que democracia é isto, este bacanal, e ainda o ameaçando com a velha sombra da ditadura ao menor som de sua voz. (Mas qualquer ditadura no Brasil pode até arrebentar com pessoas como eu, "classe média" que escreve o que quer. Mas para o povo-bunda e miserável desta zona, ditadura já é esta merda de plutocracia. Um burguês como eu ainda consegue fazer seus conluios cínicos e levar suas vantagens, mas o povo-bunda não consegue nada, nem roubando, nem levando porrada e nem se arrebentando.Nada!)

Mas os ingênuos ainda persistem, travados de medo de perderem a ilusão nesse sonho desencantado de Brasil "país do futuro", Brasil "país da esperança", " Brasil de quem nunca desiste". Eu nasci no ano do "Ame-o ou deixe-o", mas nem o amo nem o deixo, e este último ato somente por falta de opção. Nascer brasileiro virou uma condenação para a maioria desses milhões de fodidos. Se querem acreditar em "carma" e feitiços, aí está um de verdade: a brasilidade de nascença ou a brasilidade entranhada ao longo dos anos.


Mas contra o desespero de ser prisioneiro de um futuro destruído, ou de futuro algum, é melhor todo o esforço para manter a ingenuidade e a ilusão. Assim, os que querem porque querem continuar fingindo o jogo democrático agora tentam inutilmente incentivar o voto nulo. Tentam ser radicais porque desse modo acham que parecerão "politizados" (estudantes universitários que não saem da Internet sempre acham bonito e sedutor dar uma de politizado e antenado) ou tentam ser radicais porque estão mesmo revoltados (mas só um pouco, já que o brasileiro típico nunca se revolta muito, por medo ou por senso precoce da inutilidade ou de prejuízo com qualquer revolta). Vão para a Internet, onde acham que conseguirão revelar a "Matrix" (o brasileiro atual vive mais no mundo fantasioso de novelas e filmes do que em experiências reais do mundo à sua volta), e ficam horas tentando convencer outros de votar nulo, para escancarar a revolta, para esculhambar de vez, ou para ver se algo de verdade acontece; e para ver se esta merda de país deixa de caminhar inexoravelmente para seu futuro inglório ( o qual, aliás, já chegou, não se enganem: basta desligar o computador e a TV e sair a passear naqueles bairros e ruas, cada vez mais numerosos, que todos te avisam para nunca sequer atravessar).

De outro lado, revoltado com os NULISTAS, batendo boca com eles (é praxe do brasileiro olhar pra quem aponta o dedo, e não pra onde se aponta), estão os CONSCIENCIOSOS. Querem porque querem crer que se todos fizerem o seu papel, pesquisando a vida e o trabalho dos candidatos, escolhendo o mais compromissado com a população, o mais honesto e etc, a situação ainda pode mudar. Estão, obviamente, exercendo a finalidade última da democracia nas sociedades "modernas", que é manter a ilusão quanto à participação de todos no poder, nos rumos e na construção do futuro das nações. Sem a crença em paraísos celestiais a esperar suas almas, ainda acham que o futuro reserva algo de bom para si ou para os seus. Trocaram deus pelo progresso da humanidade, e agora não querem perder a crença no progresso da humanidade antes de alcançarem novas ilusões. Os europeus, norte-americanos e japoneses ainda vivem sustentados por esses sonhos irreais de progresso sem fim... O difícil tá manter esse sonho no Brasil!...

Por uma questão de fé e de autopreservação, no entanto, gosto mais destes últimos, dos que querem votar "com consciência”. Vai que um dia saio candidato e ainda votam em mim!? Poderei ganhar dinheiro suficiente, e talvez até cargo de diplomata, para enfim viver burguesmente longe dessa merda. E garanto que só farei projetos de lei e medidas provisórias com a intenção verdadeira de tirar o país dessa lama, e farei isso com dedicação verdadeira e preocupação sincera com todos estes miseráveis que se avolumam ao meu redor. Serei um parlamentar ou governador honesto, não tenham dúvida, pelo menos em relação a tudo aquilo que é capaz de chegar aos olhos do povo.

Porém se dependesse de boas intenções e de trabalho duro e honesto, o brasileiro não estaria como está. Mas os ingênuos continuam não querendo saber disso. Problema deles!... Que fiquem então aguardando pela TV as últimas decisões dos mais recentes conchavos, e dos últimos ditames plutocráticos!...

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